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Sexta-feira, Abril 16, 2004
Essa é para o pessoal que foi nos Jogos Jurídicos:
TINHA UM CARA E A ESPOSA E A ESPOSA LEVOU O CARA NO MÉDICO CHEGANDO LÁ O CARA FALOU TRUCO OI, TUDO BEM TRUCO E O MÉDICO SE ESPANTOU O SENHOR ESTÁ BEM? TRUCO! O QUE ELE TEM, DOUTOR? PERGUNTOU A ESPOSA. ACHO QUE ELE TEM ZAP.
Copiado da porta da cabininha do banheiro do Graal de Limeira...
posted by Fernando 12:17 PM
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Quarta-feira, Abril 14, 2004
Corrupção no Brasil: A perspectiva do setor privado
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Em associação com a Kroll Brasil, a Transparência Brasil anunciou esta semana os resultados da segunda edição de pesquisa realizada entre empresas privadas sobre corrupção no país. Não deixe de ver os resultados.
Cerca de 70% das empresas afirmam gastar até 3% de seu faturamento com o pagamento de propinas. Para 25%, esse custo situa-se entre 5% e 10%.
Metade das empresas da amostra participam ou já tentaram participar em licitações públicas. Destas, 62% já foram sujeitas a pedidos de propinas.
Mais de metade afirma já ter sido objeto de achaques por fiscais tributários. De todos os impostos, o mais vulnerável é o ICMS.
21% das empresas afirmam que a corrupção é aceita tacitamente pelas políticas gerenciais.
78% das empresas possuem código de ética que proíbe o pagamento de propinas.
56% das empresas contam com um mecanismo de denúncia de suspeitas de corrupção.
Mas a investigação de casos de suspeita de corrupção ocorreu em apenas 22% das empresas.
A punição de funcionários culpados aconteceu em 14% das empresas.
Empresas que participam de licitações usam pouco o direito de contestação: apenas 23% já entraram com recurso administrativo junto aos órgãos responsáveis, 5% solicitaram investigação a Tribunais de Contas e 5% foram à Justiça.
E muito mais. Não deixe de ler o relatório: www.transparencia.org.br
posted by Fernando 9:41 PM
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Terça-feira, Abril 13, 2004
Valew, Fran...
INTELIGENTE DEMAIS
>
>A professora estava tendo dificuldades com um dos alunos:
>- Pedro, qual é o problema?
>- Sou muito inteligente para estar na primeira série. Minha irmã está na
>terceira e eu
>sou mais inteligente do que ela. Eu quero ir para a terceira série também!
>A professora vê que não vai conseguir resolver este problema e o
>manda para a diretoria.
>Enquanto o Pedro espera na ante-sala, a professora explica a situação ao
>diretor.
>
>O diretor diz para a professora que ele vai fazer um teste com o
>garoto, e como ele não vai conseguir responder a todas as perguntas, vai
>mesmo ficar na
>primeira série.
>A professora concorda. Chama o Pedro e explica-lhe que ele vai ter que
>passar por um
>teste e o menino aceita.
>
>
>Diretor:
>
>
>Pedro, quanto é 3 vezes 3?
>
>9.
>E quanto é 6 vezes 6?
>
>36.
>E o diretor continua com a bateria de perguntas que um aluno da
>terceira série deve saber responder e Pedro não comete erro algum.
>
>O diretor, então, diz para a professora:
>
>Acho que temos mesmo que colocar o Pedro na terceira série.
>Posso fazer algumas perguntas também? - Intervem a professora.
>
>O diretor e o Pedro concordam. A professora pergunta:
>
>- O que é que a vaca tem quatro e eu só tenho duas?
>
>Pedro pensa um instante e responde:
>
>Pernas.
>Ela faz outra pergunta:
>O que é que há nas suas calças que não há nas minhas?
>
>
>O diretor arregala os olhos, mas não tem tempo de interromper...
>
>Bolsos - responde o Pedro.
>O que é que entra na frente da mulher e que só pode entrar atrás
>do homem?
>Estupefato com os questionamentos, o diretor prende a respiração...
>
>A letra "M". - responde o garoto.
>A professora continua a argüição:
>Onde é que a mulher tem o cabelo mais enroladinho?
>
>
>Na África. - Responde Pedro de primeira.
>Qual o monossílabo tônico que começa com a letra "C" termina com a letra "U"
>e ora está
>sujo ora está limpo?
>O Diretor começa a suar frio.
>
>O céu, professora.
>O que é que começa com "C" tem duas letras, um buraco no meio e eu já dei
>para várias
>pessoas?
>
>- CD.
>Não mais se contendo, o diretor interrompe, respira aliviado e diz para a
>professora:
>
>- Põe ele na quarta série! Eu teria errado todas...
posted by Fernando 3:59 PM
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Terça-feira, Abril 06, 2004
Esse post vem do e-mail da Gabi, a menina mais fofa do universo (no sentido de meiga, não no de gorda)!
É um teste para saber se vc já tá velho.
Eu tô... Bem que tudo podia ser como naquele tempo...
> 1 - Fez curso de datilografia?
>
> 2 - Odiava ou adorava as provas com cheiro de álcool, recém copiadas no mimeografo (usando papel extencil)?
>
> 3 - Torcia pra alguém te perguntar "Que horas são?", pra você responder "5:60!"?
>
> 4 - Assistia "Barrados no Baile", "Melrose", "Models", "S.O.S. Malibu", "Cobra", "Passa ou Repassa" com o Gugu, "Nações Unidas", "Kriptonita", "Clip Trip", "Programa Livre(Fala garoto!)", "Milk Shake" com Angélica, "Viva a Noite" (e adorava o quadro Sonho Maluco!), "Perdidos na Noite", "Show de Calouros" e "Clube da Criança" com a Xuxa?
>
> 5 - Não ia pra escola no dia do seu aniversário com medo de levar um ovo (ou vários) na cabeça?
>
> 6 -Aumentava o rádio quando tocava "Voyage, Voyage...", ou alguma música do "Yahoo", "Metrô", "Blitz" e "Rádio Taxi"?
>
> 7 - Usava caneta de 10 cores com cheiro?
>
> 8 - Adorava He-Man, She-Ra, Thundercats, Ligeirinho, Jaspion, Changeman, Os Jetsons, Tico e Teco e Bob Pai Bob Filho?
>
> 9 - Viu a Gretchen cantar Conga La Conga, o Ritchie cantar Menina Veneno e as Harmony Cats cantando: "seu amor é meu, ninguém vai roubar..."?
>
> 10 - Vc, mulher, era leitora das revistas "Carícia" e "Querida"?
>
> 11 - Jogava Enduro e River Raid no Atari? E Master System?
>
> 12 - Tentou fazer o saque "Jornada nas Estrelas" do Bernard? Ou o break do Michael Jackson?
>
> 13 - Brincava de "Estátua", "Batata-quente", "Queimada", "Pega-pega", "Pique-esconde", "Estrela Nova Cela", "Forca", "Cabra-cega", "Passa Anel", "Boca de Forno", "Amarelinha" e "STOP" (Uéééésssstopêêêêêê!!!)? e Puuullla pirraattttta!!!!!!!!!!rsrsrs hahahaha.
>
> 14 - Tinha Melissinha e botas de chuva de borracha vermelha ou rosa pink?
>
> 15 - Usou aquele tênis quadriculado (preto e branco)? E Lecheval? Com luz?!E sabia que o Tênis Montreal era o único anti-micróbio?
>
> 16 - Comia "Lollo", antes de se chamar "Milkbar"?
>
> 17 - Colecionava as figurinhas de bichinhos que vinham no chocolate Surpresa?
>
> 18 - Ou tinha o álbum de figurinhas, ou colecionava as figurinhas do "Amar é..." ou "Amor Perfeito' ou "Amor Mais Que Perfeito"...?
>
> 19 - Vc, mulher, brincava de Fofolete? E de Barbie?
>
> 20 - Colecionava papel de carta?
>
> 21 - Usou aquelas pulseirinhas de linha ou lã?
>
> 22 - Brincava de bambolê - antes de se chamar bambotchan?
>
> 23 - Pulava corda com aquela musiquinha: "Um homem bateu em minha porta e eu abri, senhoras e senhores, ponham a mão no chão"? E pulava elástico?
>
> 24 - Cantava a música do comercial da Bolinha de Sabão ("Sentada na calçada de canudo e canequinha, tchubléc, tchublim...fazendo uma bolinha...tchubléc tchublim..")?
>
> 25 - Fazia a brincadeira do copo ou da caneta e depois ficava morrendo de medo?
>
> 26 - Morria de medo da loira do banheiro (na escola), e do filme "Sexta feira 13"?
>
> 27 - Usava aquelas chuquinhas de pano da Pakalolo?
>
> 29 - Dançava lambada do Sidney Magal ou do Beto Barbosa? Ou corria pra dançar quando escutava a música "Chorando se foi, quem um dia só me fez choraaaar..."?
>
> 30 - Brincava com o Pense Bem?
>
> 31 - Tinha o "Fluf", aquela bola de fios de borracha? E Mola-Maluca??? Era febre, td mundo subindo e descendo as mãos pra mola se mexer... Ou jogando pela escada!!! ;-)
>
> 32 - Teve um Pogobol? Playmobil? Aquaplay? Vai-e-vem?
>
> 33 - Usou aqueles brilhos labiais que o pote tinha forma de morango? Ou aqueles brilhos tipo da Moranguinho?
>
> 34 - Assistia "Caverna do Dragão", na TV?
>
> 35 - Não perdia "A Nossa Turma" (kerelonguem kerelongem - que na verdade era Get Along Gang, Get Along Gang...), "Cavalo de Fogo", "O Pequeno Príncipe","Punk", "Ursinhos Carinhosos" (os ursinhos carinhosos estão aqui pra ajudar, se precisar, é só chamar...), "Mupet Babies", "Duck Tales" Duck Tales Uh Uh, são os caçadores de aventura, uh uh...), "Luluzinha", Pantera Cor-de-Rosa", "Tartaruga Tuche", "Pepe Legal e Babablu", "TopoGiggio", "Honey Honey", "The Smurfs", e "Jem"?
>
> 36 - Mascava Buballoo, Ping Pong e Ploc ou Ploc Gigante? Chupava bala Soft? Bebia Crush?
>
> 37 - Comprava Dip Lik, Mini-Chiclets e o pirulito que vinha com hélice, pra girar e voar?
>
> 38 - Teve o Pequeno Pônei, as Chuquinhas ou os Ursinhos Carinhosos?
>
> 39 - Tinha os estojos com vários botões, com cola, durex, apontador...(paraguaio).
>
> 40 - Tinha aqueles relógios que vinham com várias pulseiras de cores diferentes para trocar?
>
> 41 - Leu a Série Vaga Lume?
>
> 42 - Tinha aquela régua que ao bater no braço se enroscava como uma pulseira, a Bate-Enrola?
>
> 43 - Usava aqueles brincos que vinham na cartela e se colava na orelha?
>
> 44 - Tinha a mania de dançar Jazz, igual a mulher do Flashdance?
>
> 45 - Usou polainas e tinha patins de prender nos tênis?
>
> 46 - Colecionava as mini garrafas de refrigerantes??? E a mãe dizia que tinha veneno dentro para que a gente não bebesse... E os ioios da Coca-Cola?
>
> 47 - Comprava muiiita revistinha da Mônica?
>
> 48 - Respondia aos Questionários das colegas??? Normalmente em um caderno, e a última pergunta era... De quem vc gosta? Ou...Deixa uma mensagem para a dona do caderno...
>
> 49 - E os jogos? Jogo da Vida, Banco Imobiliário, Detetive, Cara a Cara....Lembra do comercial "Não se esqueça da minha Caloi"? E da bicicleta Monark?
>
> 50 - Teve walkman AM/FM amarelo à prova d'água?
>
> 51 - Odiava a Maria Joaquina, enjoou da Laura falando "isso é tão românticooo", e queria bater no Cirilo por que ele acreditava em todo mundo ("eu só quis dizer"!!!)? Ou seja, viu a versão original de Carrossel?
posted by Fernando 12:13 AM
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Sábado, Abril 03, 2004
O texto abaixo saiu na Carta Capital. Repare que interessante a construção dele: o colunista, sabendo que estará escrevendo para um público que tem um perfil mais puxado para a esquerda, inicia a redação com um discurso confortável a vista destes, para só depois chocá-los.
MACDÔ: A REVANCHE
Um defensor da ¿universidade mercantil¿ exalta o modelo e vaticina: um dia, todas as outras vão aderir
O sonho do ensino público, gratuito e de bom nível está ameaçado. Uma política deliberada de privatização, colocada em marcha desde os governos militares, continua. O movimento histórico por um ensino superior ¿democratizante¿ corre o risco de derrota. O novo modelo, da ¿universidade de serviços¿ e da ¿pesquisa de resultados¿, levará à destruição de uma das conquistas democráticas mais importantes da modernidade: a dimensão pública da pesquisa. A transformação das universidades públicas em shopping centers beneficiará os estratos sociais mais altos em detrimento das aspirações por uma sociedade justa e igualitária.¿
Com nuanças de conteúdo e variações de tom, o discurso acima vez por outra regurgita nas barrocas discussões sobre o ensino superior brasileiro. No pólo oposto do ringue maniqueísta costuma estar a universidade mercantil: a besta-fera do debate. Fruto da proliferação das instituições privadas e da ¿mcdonaldização¿ do ensino, a universidade mercantil é acusada de gerenciar o ensino à moda fast-food. Ibrahim Warde, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, afirma que as universidades mercantis constituem um novo modelo, com faculdades e departamentos que ¿estudam dinheiro, atraem dinheiro e ganham dinheiro¿, a alinhar de forma inconseqüente conteúdos e valores com a lógica de mercado. Nesta nova rationale, os professores atuam como entertainers e empreendedores, a divertir suas platéias e a buscar a maximização de seus ganhos.
Escrevendo em edição recente da revista acadêmica Eccos, do Centro Universitário Nove de Julho, Adolfo Ignacio Calderón, professor da Universidade de Mogi das Cruzes, faz um contraponto interessante e articulado aos detratores da universidade mercantil. O autor explica que não é uma ¿conspiração neoliberal privativista¿ que faz com que ano a ano o ensino superior privado cresça, enquanto o ensino público definha. No tabuleiro de forças políticas há muitos outros atores, inclusive a própria população. Para Calderón, o sistema público existente é insustentável do ponto de vista financeiro. E não se trata somente de falta de verbas, mas de formas ultrapassadas de gestão e desperdício crônico de recursos. O resultado é visível: professores mal remunerados, deterioração das instalações, dificuldades para contratar docentes, estagnação do número de vagas oferecidas e pesquisa incipiente. Paradoxalmente, os magros resultados na frente científica convivem com um regime de dedicação integral.
Ciente de que as estruturas existentes agem como freio para a mudança, Calderón recomenda a neutralização do corporativismo pela via da reforma gerencial e da intervenção cultural, com a profissionalização de funções-chave a atuar como freio às descontinuidades e à subordinação da estrutura às aspirações de momento dos líderes. Para complementar, sugere a adoção de práticas mais profissionais de gestão de quadros, de forma a garantir nível adequado de desempenho. Além de uma reforma estrutural no modelo de gestão, o autor defende a diversificação das fontes de financiamento, o que pode incluir cobrança de mensalidades e oferta de cursos de educação continuada, pesquisas aplicadas, assessorias e consultorias.
O credo da eficiência gerencial, com seus programas de controle de custos, estruturas profissionalizadas de gestão e proximidade com o setor privado, costuma gerar arrepios entre os mais ortodoxos. O fato é que essas mudanças já estão em curso, não pela via clara da discussão e do planejamento, mas, por serem os temas polêmicos e o consenso improvável, pelas sombras e pelos subterrâneos. O que vem pela frente? Calderón sugere que o modelo mercantil vai prevalecer elitista e custeado pelos próprios usuários. O que ocorrerá com as universidades públicas? Em algum momento se transformarão em novas universidades mercantis.
Ver a universidade pública retratada como instituição arruinada e ouvir prognósticos sobre o desaparecimento do modelo pode chocar os leitores mais sensíveis. Porém, basta uma rápida visita a um campus de universidade pública para constatar sinais de avançado estado de putrefação. Por outro lado, se o visitante seguir caminho rumo a uma universidade mercantil, a sensação será de embrenhar-se em um curioso híbrido, fruto de um ménage à trois entre uma linha de montagem, um shopping center e um hotel duas-estrelas. Haveria alternativas?
Thomaz Wood Jr.
posted by Fernando 4:26 AM
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Esse artigo é realmente interessante! Saiu no caderno Mais da Folha umas semanas atrás... Um grande aviso para nós...
A misteriosa (e trágica) ilha de Páscoa
Marcelo Gleiser
especial para a Folha
Poucos lugares despertam tanto fascínio quanto a ilha de Páscoa, com suas gigantescas e sombrias estátuas. Localizada a 3.500 quilômetros da costa do Chile, a ilha é local da mais completa desolação. Nenhuma árvore com mais de três metros pode ser vista em toda a sua superfície. Não existem animais nativos ou pássaros. Somente as enormes cabeças esculpidas em rocha vulcânica, centenas delas, a maioria com ao menos cinco metros de altura, algumas chegando a 20, todas pesando dezenas de toneladas.
O mistério da Ilha da Páscoa já existia quando o primeiro explorador europeu, o holandês Jacob Roggeveen, desembarcou lá em 5 de abril de 1722, durante a Páscoa. Como, perguntou-se Roggeveen após encontrar a pedreira de onde saíram as estátuas, elas foram transportadas e erigidas, se não existe material na ilha para fazê-lo?
Durante quase três séculos, centenas de livros e artigos foram escritos tecendo teorias fantásticas sobre a origem e a função das misteriosas estátuas. Teriam elas sido produzidas por seres extraterrestres usando ferramentas ultramodernas antes de voltarem ao seu planeta, como sugeriu o escritor suíço Erich von Däniken? Ou talvez elas tenham sido feitas por incas ou egípcios que, de algum modo, chegaram até lá no passado, sugeriu o explorador norueguês Thor Heyerdahl, que atravessou oceanos em embarcações primitivas para ilustrar a sua hipótese.
Décadas de investigações por antropólogos e arqueólogos essencialmente resolveram o mistério das gigantescas estátuas. Dois livros publicados recentemente nos EUA, "Os Enigmas da Ilha da Páscoa", de John Flenley e Paul Bahn, e "Entre os Gigantes de Pedra", de Jo Anne Van Tilburg, contam uma história talvez não tão fascinante como a dos incas ou alienígenas, mas muito mais importante para a nossa sobrevivência.
Entre 1914 e 1915, a arqueóloga Katherine Routledge visitou a ilha, obtendo relatos dos descendentes das tribos polinésias que chegaram lá em torno do ano 900 d.C. Várias ferramentas usadas para esculpir as estátuas foram encontradas na região de Rano Raraku, uma cratera. A ilha chegou a ter uma população de 15 mil pessoas, em 11 tribos. Os chefes competiam entre si, erigindo as estátuas como símbolo de seu poder. Quanto maior, melhor. Na Idade Média, cidades faziam o mesmo com suas catedrais.
E como as estátuas foram transportadas e erigidas? Como nenhum europeu viu isso acontecer, o que se pode fazer é construir uma explicação consistente com os achados científicos. Pedras gigantescas foram transportadas por várias outras civilizações, em geral apoiadas sobre grades feitas de madeira e puxadas por cordas, como um trenó. Mas como, se não existem árvores na ilha?
Não existem agora, mas certamente existiram no passado. Flenley, usando técnicas que permitem identificar o pólen e restos carbonizados de plantas extintas, provou que, antes da chegada dos humanos, a ilha continha uma floresta subtropical rica em árvores enormes, incluindo uma palmeira gigante encontrada no Chile, que chega a ter 30 metros de altura. Todas elas foram sistematicamente derrubadas para serem usadas nas grades de transporte e em grandes canoas para a pesca de atum, golfinho e outros animais transoceânicos.
Estudos de ossos encontrados pela ilha mostram que, no passado, existiam 6 espécies de aves nativas e 25 de aves marinhas. Todos essas aves desapareceram. Foi possível também reconstruir como a alimentação dos nativos variou durante os séculos. Ossos de atum e golfinho, abundantes durante os primeiros séculos, desapareceram em torno de 1600: com todas as árvores derrubadas, não era mais possível construir canoas transoceânicas. Os nativos passaram a devorar sistematicamente os animais da ilha. Quando acabaram, ou quase (sobraram principalmente ratos), eles passaram a devorar a si próprios: em torno de 1700, a ilha entrou em uma era de canibalismo.
O homem é um predador ineficiente, imediatista, que tende a não calcular o quanto pode consumir antes de se autodestruir. O atum, o salmão e o bacalhau estão ameaçados. Florestas inteiras são derrubadas diariamente. A poluição continua crescendo. Talvez todos devêssemos fazer uma visita, real ou imaginária, à ilha da Páscoa, e aprender com sua trágica história, antes que só restem nossas estátuas e monumentos.
posted by Fernando 12:46 AM
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