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Sexta-feira, Julho 29, 2005
Queremos todos uma democracia forte, não? Ao menos nós que não nos beneficiamos com mensalões e afins... Pois bem: como conseguir uma?
Não há dúvida que o fato de um presidente legitimamente eleito ter passado a faixa para um sucessor da ¿oposição¿, também eleito pelo voto popular, é um sinal de que tivemos uma melhora significativa. E seria ainda mais saudável se este presidente eleito cumprisse na íntegra seu mandato e passasse tranqüilamente o cargo para o próximo eleito.
Contudo, hoje começam a surgir suspeitas de que nosso presidente foi eleito pelo voto popular, sim. Mas não de forma inteiramente legítima.
Surgem denúncias que, se alcançarem nosso representante máximo, podem muito bem arrancá-lo do planalto. Eis que então os ¿defensores da Democracia¿ afirmam que um impeachment a essa altura desestruturaria nossas instituições de forma irreversível, transformando novamente nosso país em uma república de bananas.
Francamente. Se nosso presidente foi eleito na base negociatas, caixas 2, trocas de interesses, e se o antecessor dele foi reeleito com uma emenda constitucional comprada, creio que não há muita democracia para ser salva.
Ao invés de se fazer vista grossa e empurrar com a barriga, seria saudável para a afirmação do Brasil como um Estado Democrático de Direito, no mínimo, o respeito às leis. Inclusive àquelas que, em um curto prazo, possam ter alguns efeitos negativos.
posted by Fernando 3:18 PM
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Segunda-feira, Julho 25, 2005
Se tem uma coisa que eu sempre defendi foi o desarmamento. Basta observar as estatísticas para se perceber quanto mal pode trazer uma arma na casa de uma família. Todos os anos um número enorme de pessoas, principalmente crianças, se ferem ou mesmo morrem por acidentes com armas de fogo. Fora que as chances de se sobreviver caso alguém invada armado a sua casa é infinitamente maior se você não tentar reagir armado.
Pois bem, em dezembro de 2003 foi aprovado o estatuto do desarmamento, o qual basicamente determina que apenas os órgãos de defesa, públicos ou privados, além de pessoas que afirmarem ter "absoluta necessidade" (um termo muito abstrato, é verdade, mas é melhor do que nada) podem adquirir o direito de portar uma arma.
Estes pontos sendo respeitados e garantidos, pronto! Tem-se o desarmamento. O que este referendo vai ou não aprovar é a comercialização de armas que já estão proibidas. Ou melhor, se fará este referendo para definir que as pessoas que não podem comprar armas não podem comprar armas! É claro que o comércio de armas ainda existirá no Brasil, do contrário onde as empresas de segurança, e a própria polícia, conseguiriam seu armamento?
Redundância. Mas uma redundância proposital, visto que assim os congressistas fingem que fizeram algo muito importante, e ainda gastam durante o processo um dinheirão só para encher o ego do povo, que estará ¿exercendo sua cidadania¿!
Enfim, trata-se de mais um destes disparates que com cada vez mais freqüência têm sido usados para afundar nossa frágil democracia. Estes insultos em forma de musiquinhas e slogans que insistem em afirmar que o nosso Brasil é o melhor possível, e que não importa o quanto nossos políticos roubem, brasileiro sempre dará um jeitinho...
É preciso que deixemos de ficar nos sustentando em muletas folclóricas, tais como a crença de que o brasileiro é um povo talentoso, ou forte, ou "raçudo". O Brasileiro é, sim, sofrido, sem oportunidades, sem educação, sem saúde. E não há campanha publicitária que mude isso!
posted by Fernando 5:13 PM
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Sábado, Julho 16, 2005

posted by Fernando 5:19 PM
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posted by Fernando 3:05 AM
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Eu defendo a pirataria!
Afinal, o que há de errado com ela? Prejudicam a ¿indústria do entretenimento¿? Pode até ser... Mas por outro lado os cinemas nunca tiveram tanto público como têm hoje! Além disso, se por um lado as gravadoras deixam de lucrar (o que traria prejuízos para a economia, visto que elas pagam impostos), por outro milhares, milhões de brasileiros vêem na ¿banquinha¿ a única opção de emprego que lhes resta! E esses impostos que a industria pagaria? O que aconteceria com eles? Onde eles estavam antes da pirataria se proliferar da maneira que é hoje? Francamente... Imposto, no Brasil, é dinheiro pelo menos 80% perdido. A pirataria permite uma distribuição de renda muito mais eficaz.
E não só de renda. Os Cds e DVDs ilegais permitem ainda a distribuição de cultura. A democratização nas artes (ainda que sejam de gosto duvidoso). R$9,00 para assistir um filme no cinema (que fica no shopping, um lugar por si só exclusor). R$36,00 por um CD. Qual a chance de alguém que ganha salário mínimo ter acesso a esses bens?
Mais: se a pirataria levar a indústria fonográfica à falência, tanto melhor.Talvez seja uma benesse que a música deixe de ser um bom negócio para voltar a ser uma arte. Seria o fim do ¿jabá¿ nas rádios, dos artistas construídos. E com certeza não seria o fim da música. Ela apenas voltaria a suas origens. CDs continuariam a ser gravados, só que de maneira artesanal, e a distribuição poderia ser pelo boca-a-boca, através de cópias.
Essa ¿guerra à pirataria¿ que volta e meia é pregada pelo Estado, além de não trazer benefícios à sociedade é hipócrita, visto que apenas a pirataria da barraquinha é reprimida. Hoje é costume entre os adolescente de classe média simplesmente baixar as músicas das quais gostam pela Internet e gravar seu próprio CD, e nada se faz contra esta atitude. E para coroar, a lei inclusive defende este ato, visto que a jurisprudência brasileira afirma que uma cópia única, feita para uso exclusivo do copista, não é considerada ilegal!
Só é ilegal quando beneficia o povão...
posted by Fernando 2:52 AM
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Daslu enquadrada. Sinceramente? Que delícia!
Podem discordar. Podem falar que é despeito, inveja do sucesso alheio. Mas eu achei muito legal.
Podem dizer que foi showzinho do PT. Desvio de atenção, qualquer coisa assim... Mas vejam bem: quantas vezes a gente vê rico sendo preso no Brasil? Ou mesmo investigado?
As ações da Polícia Federal foram plenamente justificadas. O número de agentes presentes era condizente com a rapidez que situação exigia. Eles estavam lá para cumprir uns 30 mandados de busca e apreensão e mais 4 de prisão preventiva. Se fossem poucos, alguma coisa poderia escapar, alguma prova poderia ser destruída.
Claro... teve muita pose da parte deles. Mas quem é que não faz pose quando tem um holofote na sua direção? Eles estavam investigando a loja mais luxuosa do país, helicóptero de televisão sobrevoando... E a tal Eliana até que teve sua imagem devidamente poupada.
O que eu acho interessante é que, quando acontece alguma coisa dessas, já ligam direto para Brasília! Os autuados foram reclamar com o ACM, outros congressistas e demais autoridades! E o ACM não apenas chorou ao telefone (Onde já se viu prenderem uma amiga dele?) como imediatamente foi tirar satisfação com o Ministro da Justiça! Imaginem só quanta barra já foi aliviada na base do ¿sou amigo de fulano¿ neste país?
Contudo, não sou otimista a ponto de achar que as coisas estão de fato mudando. Talvez, se ao invés da filha do Alckmin, fosse a filha do Lula que trabalhasse lá...
posted by Fernando 2:51 AM
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No seu livro Poder Judiciário: Crise, acertos e desacertos, o argentino Eugenio Raúl Zaffaroni faz uma análise do desenvolvimento deste poder nos países latino-americanos.
Logo na introdução, ele mostra quais os riscos que um Judiciário capenga pode representar para a Democracia.
Segundo ele, o nosso Poder Judiciário ainda não tem bem definidas as suas funções manifestas ¿ isto é, aquilo que ele se propõe a fazer idealmente. Isso leva a classe política (o Legislativo, o Executivo) a ¿empurrar¿ para o sistema jurídico problemas que ele não é capaz de resolver. Os membros deste, então, traídos pelo seu narcisismo, recebem tais funções e, uma vez que não conseguem cumpri-las, tornam-se incompetentes aos olhos da sociedade.
Assim, perdem a legitimidade que permitiria a eles fazer o que de fato deveriam: entre outros, controlar os atos dos demais poderes para coibir abusos, tais como leis que visam apenas interesses privados ou corporativos.
Soa familiar, não?
posted by Fernando 2:50 AM
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Sabe qual é o problema destes Multiplex que dominaram o mercado de cinemas hoje em dia? Eles são insensíveis. Contratam gente que não ama cinema para trabalhar lá. E essas pessoas nem mesmo têm a chance de se apaixonar, porque é tudo muito impessoal. É como trabalhar em uma linha de montagem.
Sabe o que isso causa? Projetistas que acendem as luzes e desligam o projetor antes dos créditos finais acabarem de subir. Um absurdo.
posted by Fernando 2:45 AM
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Domingo, Julho 03, 2005
Vou contar o que me aconteceu hoje. Alguns podem achar perda de tempo. Outros, interessante. Eu achei interessante.
Espero que me lembre de tudo.
Meu primeiro sábado de férias passado aqui, em Rafard. Depois de comer uma bela janta, me deu vontade de tomar uma cerveja. Custume da faculdade, imagino. Espero não estar me tornando um alcólatra.
Peço algum dinheiro para meu pai e vou. Só queria uma cerveja, só isso. Uma cerveja e dormir bem. Amanhã é domingo. Penso onde posso tomar a maldita cerveja e penso na Casa Velha. Pelo jeito do lugar, imagino que seja o único refúgio de algum cérebro que pode persistir naquela cidade.
Depois de conversar um pouco com o porteiro e explicar para ele que eu tinha dinheiro suficiente para pagar uma cerveja, entro, sento a uma mesa e peço uma maldita Bohemia.
Eu me sinto um pouco satisfeito pelo fato da minha mesa se localizar bem em frente à televisão, mas o DVD que está sendo apresentado é do Biquini Cavadão. Biquini. Cavadão. é. Mas não faz tanta diferença. Algum barulho no ambiente me impedia de ouvir o som vindo da televisão. Eu ficava simplesmente observando aquele calvo abrindo e fechando a boca.
Na entrada do bar, vi o ex-namorado da menina que eu sempre quis namorar. Ele estava namorando uma outra menina. Não era nem metada daquela que ele namorava antes. Daquela que me levou a odiá-lo.
O pior foi enquanto eu estava sentado.
Em toda minha volta, em todas as mesas, pessoas de quem eu não gosto.
Não pessoalmente. Eu não conheço pessoalmente nenhuma daquelas pessoas. Talvez viesse a conhecer algumas, se elas fossem mais sociáveis. Mas não eram. E era por isso que eu não gostava delas.
Prestei atenção na mesa na minha frente. Três moleques, com certaza mais novos do que eu, com três meninas. Um deles usava um boné "vondutchi". O grito da moda. O outro, um outro boné, não com a mesma marca. Porém com um "naiquechóquis". O último era um pouco gordinho, mas mesmo assim usa uma camiseta muito justa. Deve tomar "bomba", e portanto a camiseta tem que fazer jus ao investimento.
Fora eles, logo atrás de mim, havia algumas meninas que deveriam me conhecer. Afinal, eu estudei no mesmo colégio que elas. EU conheço elas. Por que elas não olham na minha direção? Simplesmente passam, rebolando o maldito rabo (que é tudo o que elas têm) na direção do banheiro.
É então que eu penso: A vida é como compor uma música. Você pode não entender nada de partituras e coisas assim, mas você pode ter o espírito de uma música. Cada ato que você escolhe pode ser uma nota, e as pessoas terão uma opinião a seu respeito a partir dessa música.
Então eu decidi ser rock´n´roll.
Quando aquela cretininha do meu ginásio voltou do banheiro, eu peguei metade da minha Bohemia e joguei naquele decote demasiadamente generoso (visto que ela nem tinha tanto peito assim).
Ato contínuo, ela gritou (algo que eu não ouvi), tentou me dar um tapa (que eu abafei com minha mão), e chamou o dono do bar ( que me expulsou enquanto eu mostrava os meus dois dedos do meio para todo mundo que estava ali dentro).
Tudo bem. Isso não aconteceu. Mas eu queria que tivese acontecido. Eu juro que eu imaginei isso acontecendo, e as pessoas em volta devem ter achado esquisito eu estar lá, sentado, bebendo sozinho, e rindo.
O interessante é que enquanto eu estava lá, maldizendo e odiando aquele pequeno grupo escroto na minha frente, justamente no momento em que eu concentrava mais meu asco pelo rapaz do "vondutchi", ele derrubou todo seu copo de cerveja em cima dele mesmo.
Por um momento eu acreditei em Deus.
Depois, achei que tinha algum tipo de poder paranormal, tipo Carrie, a estranha.
Então simplesmente terminei minha cerveja e resolvi cair fora daquele lugar.
Mas para onde ir? Foi então que eu percebi algo que esteve sempre evidente. Capivari é muito dividida.
Poucos anos atrás, negros não podiam entrar em bailes do Clube da cidade. Hoje, se tiverem dinheiro, podem. Mas os bares ainda são divididos. Eu estava bebendo no bar dos brancos com grana. Então, resolvi ir beber no bar dos negros.
Apesar da hipocrisia, Capivari é assim, sim.
Maldita cidade.
Ainda era cedo. A noite continuou...
posted by Fernando 5:05 AM
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Sábado, Julho 02, 2005
Alguns posts atrás, eu deixei uma mensagem para uma menina nos Comments assim: "Sai dessa, abre uma Skol!"
Agora que eu pensei melhor, acho que ela provavelmente nem sabe do que eu estava falando. É que esse comercial da Skol, no qual o cara fica espiando a vizinha gostosa pela janela, e aí ela pega o telefone e liga para ele dando aquela intimada (Sai dessa, abre uma Skol!) já é meio velha... Veio antes mesmo da Skol se tornar "a cerveja que desce redondo". Se a menina for mesmo uns dois anos mais nova que eu, ela nem vai se lembrar. E oha que isso já era nos anos 90!!!
E eu que não acreditava quando os mais velhos diziam que o tempo vôa e a gente nem vê...
De fato, os anos pareciam bem mais cumpridos quando eu era mais novo. Faz sentido. Afinal, quando eu tinha 10 anos de idade um ano correspondia a 10% do que eu tinha vivido até então. Já agora, um ano representa meros 5% por cento! É menos do que a gorjeta que você deixa para o garçom!
Vai ver tudo na vida é assim. A medida que vamos amadurecendo, os dias, as horas, tudo vai ficando relativamente menos intenso. Por exemplo: quando vc é novo, cada beijo, cada ficadinha, cada namorinho de dois meses parece que é o suficiente para você morrer de paixões. Depois você se casa, e para ter alguma importância tem que durar 5, 20, 50 anos... E depois que a paixão acaba você ainda dá mais uns 10% de gorjeta...
posted by Fernando 7:26 PM
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